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segunda-feira, julho 20, 2009

Crítica: The Mourning Forest (2007)


Mogari No Mori
Naomi Kawase, Japão, 2007

As consequências da morte de alguém próximo e a capacidade de cada pessoa as enfrentar são o pano de fundo desta estória sobre a relação que se desenvolve entre uma jovem enfermeira de um lar de idosos e um dos residentes.

A habitação situa-se no meio de uma floresta verdejante, sublimemente fotografada, onde o vento dá vida à paisagem e providencia a banda-sonora para a quase totalidade do filme.

Desde os momentos inicias da sua chegada à estalagem que acompanhamos a delicada e inexperiente Machiko nos contactos que, lentamente, estabelece com o grupo de pessoas que ali vive e observamos como esses laços emocionias a vão vinculando àquele local.

É com Shigeki, um viúvo que aparenta sinais de senilidade, que a jovem cria uma relação de maior intimidade, fruto da partilha de sentimentos que também ela vivencia na sequência da perda recente de um filho.

Levando à letra o conselho dado pela sua superiora, "não existem regras", e impotente para impedir que Shigeki persiga a sua obsessão pela há muito falecida esposa, Machiko deixa-se envolver na realidade em que aquele submergiu, experienciando uma aventura de libertação que poderá alterar a sua percepção do seu próprio luto.

A floresta do título serve de palco a todos os acontecimentos, e é em si mesma uma entidade autónoma que acolhe no seu seio a dor dos que com ela partilham.

Este e outros aspectos, presentes ao longo de todo o filme, reflectem uma carregada sensibilidade oriental que poderá não criar nos espectadores ocidentais uma valoração que lhes permita abraçar plenamente esta obra.

É, no entanto, inegável a irrepreensível beleza das imagens capturadas, que encerram um espírito contemplativo e de apaziguamento das almas conturbadas; elementos igualmente apreciados pelo Júri de Cannes, que lhe atribuiu o Grande Prémio do Festival.

A argumentista e realizadora japonesa Naomi Kawase, detentora de uma considerável carreira ainda que apenas pontualmente reconhecida, demonstra em diversas ocasiões a sua tendência para o registo documental e noutras um imaginário muito próximo do realismo mágico.

Características que a aproximam das obras do conterrâneo e contemporâneo Hirokazu Koreeda - paralelismo reforçado pela temática abordada, comum a ambos - ainda que, aqui, se faça sentir a ausência de uma maior intensidade dramática e de uma narrativa mais complexa e intricada.

6/10

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sexta-feira, julho 17, 2009

Zapping: The Lady From Shanghai (1947)

Michael O'Hara: When I start out to make a fool of myself there's very little can stop me. If i'd known where it would end I'd never let anything start. If I'd been in my right mind, that is. But once I'd seen her, I was not in my right mind for quite some time.

The Lady From Shanghai
Orson Welles, EUA, 1947

posted by Diogo Fonseca at 19:21 0 comments

quinta-feira, julho 16, 2009

Crítica: La Terza Madre (2007)


La Terza Madre
Dario Argento, Itália, 2007

Trinta anos após Suspiria, o mais aclamado filme do realizador italiano, surge o capítulo final de uma trilogia dedicada a um triunvirato de feiticeiras cujos poderes mágicos ameaçam os destinos da terra, baseado num texto do ensaísta Thomas de Quincey.

Originalmente escrito em 1984 pela actriz e então companheira de Argento, Daria Nicolodi, o projecto ficou esquecido até hà poucos anos, quando aquele decidiu encerrar o ciclo.

La Terza Madre sucede a Inferno, de 1980, e centra a sua acção na Roma da actualidade, onde se encontram enterrados os resto mortais da Mater Lachrimarum, a mais temida das "três mães".

Sarah, interpretada por Asia Argento, filha do realizador, é uma norte-americana estudante de arte que examina uma urna ancestral encontrada numa campa de um cemitério italiano próximo, inconsciente dos perigos que aquela encerra.

Aberta a caixa de Pandora, uma série de mórbidos acontecimentos começam a assombrar a capital italiana, à medida que os seguidores da Mãe das Lágrimas se reuném para lhe prestar vassalagem.

Procurando fazer jus à reputação atribuída à última das bruxas, aquele que foi o percusor do thriller falado em italiano apresenta-nos um violento e bastante explícito conto apocalíptico, que marca o seu regresso ao campo do terror sobrenatural.

Há muito que Argento abandonou o estilo visual cromático que lhe granjeou notoriedade, adoptando actualmente uma imagética gótica mais sóbria e sombria, pontuada com os tons quentes de flamejantes visões do inferno, cortesia do director de fotografia Frederic Fasano.

E se o virtuosismo técnico daquele ainda sobressai nas cenas mais extremas, a verdade é que estas não atingem a riqueza criativa das surpreendentes soluções encontradas nos seus filmes da década de setenta, sendo aqui preteridas em favor de uma abordagem mais directa.

Por outro lado, esta orientação realista permite uma leitura crítica das sociedades contemporâneas e dos verdadeiros males que as assolam, o que é de louvar.

Não obstante, o talento ainda demonstrado não compensa as inúmeras falhas verificadas ao longo do desenrolar do filme e não consegue contrariar a ideia de que o mestre do horror europeu deixou de ser relevante.

De um argumento rebuscado, confuso e pleno de gralhas, com personagens incredíveis e pobremente representadas, a uma orgiástica apoteose que não sobrevive às expectativas construídas, a sensação geral criada é não uma de temor, mas de estupefacção - o que se lamenta, pois de tão estimado autor se desejaria muito melhor.

4/10

posted by Diogo Fonseca at 15:59 0 comments

quarta-feira, julho 15, 2009

Crítica: La Mujer Sin Cabeza (2008)


La Mujer Sin Cabeza
Lucrecia Martel, Argentina, 2008

Verónica não perdeu a cabeça. Pelo menos, não literalmente.
No entanto, um aparentemente irrelevante acidente de viação em que se vê envolvida submerge-a num estado de perturbação e alienação tal que poderíamos realmente afirmar que acima daqueles ombros nada existe.
Após esse momento marcante, cujas imprevisíveis consequências poderão abalar as fundações do seu quotidiano seguro, Verónica toma a decisão de regressar.
No entanto, esquecer o que ficou para trás mostra-se uma tarefa mais complicada do que à primeira vista poderia imaginar.
Dias a fio movimenta-se, e é movimentada, de forma arrastada, passando pelos que a rodeiam como se de um fantasma se tratasse, sintomático do vazio emocional subjacente.
Fascinante é que o consiga fazer sem que família, amigos e criados se apercebam do seu estado de apatia, virtuosismo atribuível à magistral direcção da realizadora e argumentista Lucrecia Martel.
Da relação extra-conjugal com o melhor amigo do seu marido à caricata situação no consultório onde exerce medicina em que se julga paciente, Verónica realiza mecanica e silenciosamente as actividades daquilo que o espectador, e também a própria graças à sua condição, descobre ser a sua rotina.
Mas à medida que Verónica procura reunir forças para establecer novamente uma relação com o mundo exterior, o destino aproxima-a perigosamente daquilo que ela quis deixar para trás, ameaçando apanhá-la de vez e trazê-la à fria e crua realidade.
Acompanhamos o desenrolar do argumento com a curiosidade aguçada pela abordagem rítmica adoptada, que, igualmente, nos permite apreciar a beleza das imagens capturadas.
Assemelhando-se a um exaustivo retrato do drama psicológico vivido pela personagem principal, o filme dissimula uma silenciosa, mas mordaz, crítica da actual sociedade argentina, rigidamente estratificada em classes económicas e étnicas, susceptível aos interesses da burguesia estabelecida.
É latente o desconforto da mulher do título, sublimemente representada por Maria Onetto, quando obrigada a permanecer junto daqueles que habitualmente a servem, bem como a ameaça de enraízamento dos comportamentos subservientes por estes demonstrados.
Inquisitivo, pertubador e poético, adjectivos acessíves apenas às obras de verdadeiros autores.

9/10

posted by Diogo Fonseca at 11:09 0 comments

quinta-feira, julho 13, 2006

Crítica: Turtles Can Fly (2004)


Lakposhtha Hâm Parvaz Mikonand
Bahman Ghobadi, Iraque/Irão, 2004

Alguns dias apenas antecipam a segunda investida das tropas norte-americanas no golfo pérsico.

Numa altura de expectativa, a vida agita-se para os habitantes de uma pequena aldeia do território fronteiriço com a Turquia, denominado de Curdistão.

Os verdadeiros protagonistas desta película, no entanto, são um grupo de crianças orfãs aí refugiadas, forçadas a procurar por diversos meios a sua subsistência.

Entre estes emerge a figura de Satélite, assim chamado, por, munido de pouco mais que a sua iniciativa, conseguir dotar as aldeias locais de receptores de sinal de televisão; mas é junto dos outros infantes que a sua verdadeira importância se manifesta, como líder, guiando-os numa terra de cegos.

No outro pólo da acção está Henkov, um silencioso rapaz que suporta fisicamente os horrores da guerra, e as consequências psicológicas da mesma.

Este, assombrado pelas suas visões do futuro, e encurralado pelo seu destino, faz-se acompanhar da sua irmã, a soturna Agrin, que relutantemente carrega consigo outra criança.

Após tomar contacto com a rapariga, o expansivo Satélite tenta aproximar-se da jovem "família", mas poderá ser tarde demais para que a sua alegria de viver contagie estes mui torturados seres.

Nesta sua terceira longa-metragem, Bahman Ghobadi continua a retratar um país subjugado por um regime implacável, e a narrar estórias de sobrevivência num ambiente de violência extrema.

Por entre os destroços de uma paisagem apocalíptica assistimos a pequenos momentos mágicos emocionalmente avassaladores. Instantes, que nos levam a acreditar que, em pleno cenário infernal, pode ser recompensante continuar a viver.

Superando os títulos anteriores, Turtles Can Fly recebeu, unânimemente, louvores por parte da crítica internacional e anuncia-se como um dos líderes da vaga de filmes provenientes do médio-oriente neste início de século.

8/10

posted by Diogo Fonseca at 20:53 1 comments

sexta-feira, junho 23, 2006

Crítica: L'Enfant (2004)


L'Enfant
Jean-Pierre e Luc Dardenne, Bélgica, 2004

Com um bébé recém-nascido nos braços, Sónia procura o seu companheiro pelas ruas de uma pequena cidade industrial belga.

Entre os carros parados num semáforo, Bruno pede dinheiro aos condutores. Este jovem adulto, para quem qualquer forma de obter dinheiro não passa por um emprego convencional, está tudo menos preparado para enfrentar o novo desafio que a vida lhe propõe.

A verdade é que não parece muito preocupado com isso.

Não encontrando lugar para o nascituro na sua vida, o destino que decide lhe dar parece ser o mais lógico, no entanto perceberá não ser o mais fácil.

A amoralidade da sua conduta diária prepara o espectador para os acontecimentos que se seguem, que se tornam numa consequência directa dessa mesma visão esvaziada de valores que dita a sua sobrevivência.

Desta forma é difícil pura e simplesmente condenar as suas acções. Esta é talvez a maior vitória do filme.

A criança do título torna-se num veículo para a redenção de Bruno.

A audiência assiste ao crescimento forçado do jovem e percebe que as suas acções não são fruto da sua falta de sentimentos mas da sua inexperiência emocional.

Bruno é na realidade uma figura paternal para os seus pequenos órfãos companheiros do crime, e se o destino o permitir poderá ainda sê-lo para o seu próprio filho.

O quarto numa sequência de êxitos junto da círtica, L'Enfant é também a segunda obra dos irmãos Dardenne a ser galardoada com a Palma de Ouro de Cannes.

A visão da dupla, invocativa do realismo de clássicos do cinema europeu parece ter conquistado o público dos festivais.

Com uma técnica que assenta na imediatez das personagens e na fluidez do enredo, os realizadores pôem de parte os afloramentos musicais e visuais.

A câmara não se desvia por um instante da acção, permitindo assim um maior impacto da estória e um ritmo extremamente acessível.

Esta leveza com que aborda uma delicada temática é bem sucedida ao distinguir a película de outros dramas sociais.

7/10

posted by Diogo Fonseca at 00:19 0 comments

segunda-feira, junho 12, 2006

Zapping: Manhattan Mystery Murder (1993)

Carol Lipton: The deal was, I sit trough the ice hockey game and you watch the whole opera.
Larry Lipton: I can't listen to that much Wagner, you know? I start to get the urge to conquer Poland.

Manhattan Mystery Murder
Woody Allen, EUA, 1993

posted by Diogo Fonseca at 15:35 0 comments

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